As fitas do ateísmo - Jonathan Miller entrevista Colin McGinn
Colin McGinn é um filósofo britânico. Atualmente leciona na Universidade de Miami. McGinn também teve importantes funções no quadro docente da Oxford University e da Rutgers University. Tornou-se conhecido por seu trabalho sobre a filosofia da mente, embora tenha escrito sobre praticamente todos os tópicos da moderna filosofia. A principal das suas obras voltadas para o público em geral é a autobiografia "The making of a philosopher: my journey through twentieth-century philosophy (2002, traduzido no Brasil como "A construção de um filósofo"). A entrevista foi filmada a propósito da série "Ateísmo: Uma dura história da descrença" (conhecido nos EUA como "Uma breve história da descrença") da tevê britânica, mas ficou de fora na versão final.
"AS FITAS DO ATEÍSMO - JONATHAN MILLER ENTREVISTA COLIN MCGINN" NO YOUTUBE (Canal de dimasluz25)
Parte 1 de 3
http://www.youtube.com/watch?v=ay43J0n_L14
Parte 2 de 3
http://www.youtube.com/watch?v=jdLShDlxkyQ
Parte 3 de 3
http://www.youtube.com/watch?v=DHcuAdr54Qc
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"AS FITAS DO ATEÍSMO - JONATHAN MILLER ENTREVISTA COLIN MCGINN" NO BLIP.TV
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Richard Dawkins entrevista Alister McGrath
Richard Dawkins entrevista Alister McGrath
Richard Dawkins (autor do livro "Deus, um delírio") e Alister McGrath têm trajetórias bastante parecidas. Ambos são cientistas de Oxford, estudiosos das ciências naturais e mostram-se abertos a novas formas de pensar, desde que as evidências os levem a isso. A diferença é que o raciocínio lógico levou Dawkins a defender o ateísmo e McGrath a acolher a fé. A entrevista foi filmada a propósito do documentário "The root of all evil?" ("A raiz de todo o mal?") da tevê britânica, mas ficou de fora na versão final.
"RICHARD DAWKINS ENTREVISTA ALISTER MCGRATH" NO YOUTUBE (Canal de dimasluz25)
Parte 1 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=ZEdPpv8fFgk
Parte 2 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=-X-Pi97Gz4M
Parte 3 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=BDF_ViP0T0w
Parte 4 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=n0Ikgjw6Cm4
Parte 5 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=5NpsuTu_UAo
Parte 6 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=XufieeZLaCA
Parte 7 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=IDsy7kx8wpI
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"RICHARD DAWKINS ENTREVISTA ALISTER MCGRATH" NO BLIP.TV
Parte 1 de 2
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Parte 2 de 2
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"RICHARD DAWKINS ENTREVISTA ALISTER MCGRATH" NO INTERNET ARCHIVE
Parte 1 de 2
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Richard Dawkins (autor do livro "Deus, um delírio") e Alister McGrath têm trajetórias bastante parecidas. Ambos são cientistas de Oxford, estudiosos das ciências naturais e mostram-se abertos a novas formas de pensar, desde que as evidências os levem a isso. A diferença é que o raciocínio lógico levou Dawkins a defender o ateísmo e McGrath a acolher a fé. A entrevista foi filmada a propósito do documentário "The root of all evil?" ("A raiz de todo o mal?") da tevê britânica, mas ficou de fora na versão final.
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Parte 1 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=ZEdPpv8fFgk
Parte 2 de 7
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Parte 3 de 7
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Parte 4 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=n0Ikgjw6Cm4
Parte 5 de 7
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Parte 1 de 2
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Domingo, 19 de Julho de 2009
Home
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O fotógrafo Yann Arthus-Bertrand tornou-se célebre pela série de fotografias intitulada "A Terra vista do céu", que deu origem a uma série de documentários televisivos do mesmo nome. Recentemente, Arthus-Bertrand uniu esforços com realizador de cinema Luc Besson ("O Quinto Elemento") para produzir "Home" (http://www.imdb.com/title/tt1014762/), um documentário que serve de alerta para os grandes desafios ecológicos que o planeta enfrenta através de imagens impressionantes e surpreendentes da natureza recolhidas nos cinco continentes, nos oceanos e glaciares. A ideia é incitar o espectador a reagir contra graves problemas ecológicos atuais como o aquecimento global ou a exploração desmesurada dos nossos recursos naturais: combustíveis fósseis, solos de cultivo, água potável, recursos marinhos, etc. Confrontando o espectador com imagens sublimes da natureza que está em risco de desaparecer em curto ou em médio prazo, Luc Besson e Arthus-Bertrand esperam incitar o espectador a agir imediatamente para impedir a destruição desses ecossistemas.
Parte 01 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=0l3xF1EvIOo
Parte 02 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=MpzOmeqru-w
Parte 03 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=pMVNV_kPVcE
Parte 04 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=fw8VWl6Z8VU
Parte 05 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=WNRVUhskRww
Parte 06 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=lar1n3l2CUQ
Parte 07 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=-Ehcrpeu290
Parte 08 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=kpwoqwIkm1k
Parte 09 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=QlowByxXSZA
Parte 10 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=OOqumex35S8

O fotógrafo Yann Arthus-Bertrand tornou-se célebre pela série de fotografias intitulada "A Terra vista do céu", que deu origem a uma série de documentários televisivos do mesmo nome. Recentemente, Arthus-Bertrand uniu esforços com realizador de cinema Luc Besson ("O Quinto Elemento") para produzir "Home" (http://www.imdb.com/title/tt1014762/), um documentário que serve de alerta para os grandes desafios ecológicos que o planeta enfrenta através de imagens impressionantes e surpreendentes da natureza recolhidas nos cinco continentes, nos oceanos e glaciares. A ideia é incitar o espectador a reagir contra graves problemas ecológicos atuais como o aquecimento global ou a exploração desmesurada dos nossos recursos naturais: combustíveis fósseis, solos de cultivo, água potável, recursos marinhos, etc. Confrontando o espectador com imagens sublimes da natureza que está em risco de desaparecer em curto ou em médio prazo, Luc Besson e Arthus-Bertrand esperam incitar o espectador a agir imediatamente para impedir a destruição desses ecossistemas.
Parte 01 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=0l3xF1EvIOo
Parte 02 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=MpzOmeqru-w
Parte 03 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=pMVNV_kPVcE
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http://www.youtube.com/watch?v=fw8VWl6Z8VU
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http://www.youtube.com/watch?v=WNRVUhskRww
Parte 06 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=lar1n3l2CUQ
Parte 07 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=-Ehcrpeu290
Parte 08 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=kpwoqwIkm1k
Parte 09 de 10
http://www.youtube.com/watch?v=QlowByxXSZA
Parte 10 de 10
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
"Tempo e cura", de Fábio Luís
Tempo e cura
É na realidade do tempo que o humano projeta-se como existência: se constroi e se descobre em uma relação dialética com a vida.
Fábio Luís
Dizem que o tempo cura. A força salutar do tempo é invocada especialmente quando o assunto é a cicatrização das emoções. E, no entanto, o tempo só cura os afetos na mesma medida em que sana uma ferida da carne.
Um sangramento não estanca, nem uma ferida cicatriza porque hoje é depois de ontem: são os anticorpos que trabalham. Toda cura é produto da vitalidade do organismo. No coração como na carne.
Quando perdemos uma pessoa querida, vem o luto. Chorar é uma ginástica do coração, tão necessária como comer e dormir para o corpo. A perda é uma realidade e a tristeza é um sentimento adulto. A superação não passa pela negação, mas pelo confronto da dor.
Até descobrir que somos maiores do que ela. Existem as boas lembranças que iluminam o presente. Delas revela-se a gratidão, fundada nos prazeres do agora. É na alegria de estar vivo que é possível integrar a perda como gratidão. Saudade transmuta-se em esperança.
A desilusão amorosa tampouco cura-se por si só. No primeiro momento, há também o luto. Depois, a consciência de que o fim de uma relação não leva embora as coisas boas que cada um tem em si. E mais: o que se ganhou em profundidade na relação com o outro não se esvai. Um novo amor é sempre fecundado pelo passado.
É claro que há finais mais doloridos que outros. A primeira reação é fechar-se à entrega. Mas então se intui que só um amor pode curar a ferida de outro amor. Isso é em si uma tênue abertura, que só alarga. Resultado de uma sede de amor que é divina e não tem limites: por isso, ancorada na fé.
O desentendimento entre queridos pode ser mais explosivo. Uma emoção de tempo curto, que como uma ferida exposta, clama por cuidados imediatos. Às vezes é viável contornar a situação na hora; às vezes não.
O tempo aí também não é mágico: a desculpa que gera o perdão, na religião católica como na judaica, é aquela que traz o arrependimento sincero. Isso é produto de reflexão do coração. A paz nunca é unilateral: quando um não quer, dois não se entendem – não há perdão. Por isso, toda amizade precisa estar assentada na humildade – uma forma elevada da caridade.
Não é exato dizer que o tempo cura. Mas é na realidade do tempo que o humano projeta-se como existência: se constroi e se descobre em uma relação dialética com a vida, onde a perda revela o que somos, que só é porque perde, e ao perder, se faz.
A cura do coração é a prova cotidiana de que a ressurreição nada mais é do que o milagre do humano: fere-se e cura-se, simplesmente pelo dom do amor à vida, que pulsa.
* Fábio Luís é jornalista.
Fonte: Correio da Cidadania
É na realidade do tempo que o humano projeta-se como existência: se constroi e se descobre em uma relação dialética com a vida.
Fábio Luís
Dizem que o tempo cura. A força salutar do tempo é invocada especialmente quando o assunto é a cicatrização das emoções. E, no entanto, o tempo só cura os afetos na mesma medida em que sana uma ferida da carne.
Um sangramento não estanca, nem uma ferida cicatriza porque hoje é depois de ontem: são os anticorpos que trabalham. Toda cura é produto da vitalidade do organismo. No coração como na carne.
Quando perdemos uma pessoa querida, vem o luto. Chorar é uma ginástica do coração, tão necessária como comer e dormir para o corpo. A perda é uma realidade e a tristeza é um sentimento adulto. A superação não passa pela negação, mas pelo confronto da dor.
Até descobrir que somos maiores do que ela. Existem as boas lembranças que iluminam o presente. Delas revela-se a gratidão, fundada nos prazeres do agora. É na alegria de estar vivo que é possível integrar a perda como gratidão. Saudade transmuta-se em esperança.
A desilusão amorosa tampouco cura-se por si só. No primeiro momento, há também o luto. Depois, a consciência de que o fim de uma relação não leva embora as coisas boas que cada um tem em si. E mais: o que se ganhou em profundidade na relação com o outro não se esvai. Um novo amor é sempre fecundado pelo passado.
É claro que há finais mais doloridos que outros. A primeira reação é fechar-se à entrega. Mas então se intui que só um amor pode curar a ferida de outro amor. Isso é em si uma tênue abertura, que só alarga. Resultado de uma sede de amor que é divina e não tem limites: por isso, ancorada na fé.
O desentendimento entre queridos pode ser mais explosivo. Uma emoção de tempo curto, que como uma ferida exposta, clama por cuidados imediatos. Às vezes é viável contornar a situação na hora; às vezes não.
O tempo aí também não é mágico: a desculpa que gera o perdão, na religião católica como na judaica, é aquela que traz o arrependimento sincero. Isso é produto de reflexão do coração. A paz nunca é unilateral: quando um não quer, dois não se entendem – não há perdão. Por isso, toda amizade precisa estar assentada na humildade – uma forma elevada da caridade.
Não é exato dizer que o tempo cura. Mas é na realidade do tempo que o humano projeta-se como existência: se constroi e se descobre em uma relação dialética com a vida, onde a perda revela o que somos, que só é porque perde, e ao perder, se faz.
A cura do coração é a prova cotidiana de que a ressurreição nada mais é do que o milagre do humano: fere-se e cura-se, simplesmente pelo dom do amor à vida, que pulsa.
* Fábio Luís é jornalista.
Fonte: Correio da Cidadania
"Amigo Norton", de David Coimbra
Amigo Norton
Não, não há como acreditar nas instituições.
David Coimbra
Durante anos, eu e o diagramador Norton Voloski trabalhamos lado a lado na redação da Zero. Estávamos quase sempre concentrados, eu nos textos, ele nos traços, mas volta e meia trocávamos algum comentário. O do Norton invariavelmente o mesmo:
— O mundo não é justo…
Eu concordava:
— Não é, Norton. Não é.
Mas o ser humano não cessa de buscar a justiça debaixo do sol. Alguns cevam suas esperanças na religião. Quer dizer: as doenças, as intempéries, as maldades dos homens, os azares comezinhos, tudo isso pode ser corrigido por Deus, desde que o crente cumpra algumas premissas. Antes do judaísmo, premissas bastante práticas e razoáveis: bastava oferecer um animal ou uma pessoa em sacrifício e, pronto, os desejos do suplicante seriam atendidos.
Porém, há cerca de três mil anos apareceram aqueles profetas hebreus. Amoz, Oseias, Isaías. Homens graves, prenhes de advertências e anátemas. O acesso à justiça divina tornou-se mais restrito. Pela primeira vez na História, um ingrediente moral foi incluído na relação com a divindade. As boas ações seriam premiadas; as más, punidas.
Por que houve essa mudança? Porque, unificado pelo meu xará David, Israel enriqueceu sob seu filho Salomão, e a pobreza só existe se existe a riqueza. Os profetas, na verdade, eram políticos de oposição, angustiados com as diferenças de classes surgidas no reino que antes era apenas um ajuntamento de tribos. Isaías, o mais requintado deles, desenvolveu um discurso comunista, pró-reforma agrária:
“Vós sois os que consumistes a vinha. Os despojos dos pobres estão em vossas casas. Que quereis, vós que esmagais o meu povo e moeis o rosto dos pobres? Ai dos que ajuntam casa a casa, achegam campo a campo até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra. Ai dos que fazem decretos injustos para arrebatar dos pobres do meu povo o direito!”
As maldições, no entanto, surtiram pouco efeito. Os ricos continuaram mais ricos, e os pobres mais pobres. O cristianismo resolveu em parte essa questão prometendo que a justiça seria feita mais tarde, depois do passamento do crente, no Reino dos Céus, ao som de harpas e à temperatura de 15ºC. Mas ainda assim há quem não se contente com essa promessa de redenção tardia, que anseie pela justiça aqui mesmo e agora. São os que, há mais ou menos 300 anos, acreditam nas Instituições. A Democracia e a Lei – se é verdade que não são exatamente efetivos no combate às miríades de doenças e intempéries que se multiplicam e se renovam na Terra – deveriam regular as relações humanas e garantir uma sociedade digna inclusive para os que Isaías chamava de os pobres do meu povo.
Todos os dias, contudo, abro as páginas dos jornais e assisto aos noticiários das TVs, e lá está Sarney atrás do seu bigode, prometendo que não vai renunciar nem devolver o Maranhão; estão Lula e Collor dançando juntos, e parece bolero, parece que dizem te quero, te quero; e há listas de centenas de atos secretos do Senado; e há escândalos no governo do Estado; e no do município há omissão; e então pergunto: como acreditar nas tais Instituições?
Não, não há como acreditar. Você está certo, amigo Norton: o mundo não é justo.
Fonte: Jornal “Zero Hora” nº. 16033, 17/7/2009.
Não, não há como acreditar nas instituições.
David Coimbra
Durante anos, eu e o diagramador Norton Voloski trabalhamos lado a lado na redação da Zero. Estávamos quase sempre concentrados, eu nos textos, ele nos traços, mas volta e meia trocávamos algum comentário. O do Norton invariavelmente o mesmo:
— O mundo não é justo…
Eu concordava:
— Não é, Norton. Não é.
Mas o ser humano não cessa de buscar a justiça debaixo do sol. Alguns cevam suas esperanças na religião. Quer dizer: as doenças, as intempéries, as maldades dos homens, os azares comezinhos, tudo isso pode ser corrigido por Deus, desde que o crente cumpra algumas premissas. Antes do judaísmo, premissas bastante práticas e razoáveis: bastava oferecer um animal ou uma pessoa em sacrifício e, pronto, os desejos do suplicante seriam atendidos.
Porém, há cerca de três mil anos apareceram aqueles profetas hebreus. Amoz, Oseias, Isaías. Homens graves, prenhes de advertências e anátemas. O acesso à justiça divina tornou-se mais restrito. Pela primeira vez na História, um ingrediente moral foi incluído na relação com a divindade. As boas ações seriam premiadas; as más, punidas.
Por que houve essa mudança? Porque, unificado pelo meu xará David, Israel enriqueceu sob seu filho Salomão, e a pobreza só existe se existe a riqueza. Os profetas, na verdade, eram políticos de oposição, angustiados com as diferenças de classes surgidas no reino que antes era apenas um ajuntamento de tribos. Isaías, o mais requintado deles, desenvolveu um discurso comunista, pró-reforma agrária:
“Vós sois os que consumistes a vinha. Os despojos dos pobres estão em vossas casas. Que quereis, vós que esmagais o meu povo e moeis o rosto dos pobres? Ai dos que ajuntam casa a casa, achegam campo a campo até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra. Ai dos que fazem decretos injustos para arrebatar dos pobres do meu povo o direito!”
As maldições, no entanto, surtiram pouco efeito. Os ricos continuaram mais ricos, e os pobres mais pobres. O cristianismo resolveu em parte essa questão prometendo que a justiça seria feita mais tarde, depois do passamento do crente, no Reino dos Céus, ao som de harpas e à temperatura de 15ºC. Mas ainda assim há quem não se contente com essa promessa de redenção tardia, que anseie pela justiça aqui mesmo e agora. São os que, há mais ou menos 300 anos, acreditam nas Instituições. A Democracia e a Lei – se é verdade que não são exatamente efetivos no combate às miríades de doenças e intempéries que se multiplicam e se renovam na Terra – deveriam regular as relações humanas e garantir uma sociedade digna inclusive para os que Isaías chamava de os pobres do meu povo.
Todos os dias, contudo, abro as páginas dos jornais e assisto aos noticiários das TVs, e lá está Sarney atrás do seu bigode, prometendo que não vai renunciar nem devolver o Maranhão; estão Lula e Collor dançando juntos, e parece bolero, parece que dizem te quero, te quero; e há listas de centenas de atos secretos do Senado; e há escândalos no governo do Estado; e no do município há omissão; e então pergunto: como acreditar nas tais Instituições?
Não, não há como acreditar. Você está certo, amigo Norton: o mundo não é justo.
Fonte: Jornal “Zero Hora” nº. 16033, 17/7/2009.
Tchaikovsky - Swan Lake (Lago do Cisne) - Guangdong Acrobatic Troupe of China
Tchaikovsky - Swan Lake (Lago do Cisne) - Guangdong Acrobatic Troupe of China
The internationally acclaimed Guangdong Acrobatic Troupe of China makes its sensational debut at the Royal Opera House, Covent Garden. Founded in 1951, the Company is China's foremost acrobatic company.
Renowned throughout the world, the Company astounds audiences with its astonishing productions which push imagination, physicality and technology to their limits in its electrifying presentations of traditional Chinese folk acrobatics within a dynamic modern perspective.
Drawing inspiration from classical dance, traditional Chinese acrobatics and elements of Peking Opera, the Guangdong Acrobatic Company's extraordinary version of Swan Lake has taken the world by storm since its premier in 2006.
A co-production with the Shanghai City Dance Company, this spectacular ballet, a seamless fusion of breathtaking acrobatic feats and magnificent classical dance, has transformed its principal dancers into international stars and thrilled audiences worldwide.
(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=btiBzU9mCgY)
-&-
Companhia de balé chinesa interpreta o "Lago do Cisne", de Tchaikovsky.
http://www.youtube.com/watch?v=PrVwBaLREuU
The internationally acclaimed Guangdong Acrobatic Troupe of China makes its sensational debut at the Royal Opera House, Covent Garden. Founded in 1951, the Company is China's foremost acrobatic company.
Renowned throughout the world, the Company astounds audiences with its astonishing productions which push imagination, physicality and technology to their limits in its electrifying presentations of traditional Chinese folk acrobatics within a dynamic modern perspective.
Drawing inspiration from classical dance, traditional Chinese acrobatics and elements of Peking Opera, the Guangdong Acrobatic Company's extraordinary version of Swan Lake has taken the world by storm since its premier in 2006.
A co-production with the Shanghai City Dance Company, this spectacular ballet, a seamless fusion of breathtaking acrobatic feats and magnificent classical dance, has transformed its principal dancers into international stars and thrilled audiences worldwide.
(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=btiBzU9mCgY)
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Companhia de balé chinesa interpreta o "Lago do Cisne", de Tchaikovsky.
http://www.youtube.com/watch?v=PrVwBaLREuU
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Perpetuum Jazzile - Africa
Perpetuum Jazzile - Africa
Este vídeo apresenta um clássico pop dos anos 1980, "Africa", sucesso da banda de rock Toto. A música é logo identificada, mas foi reinventada pelo grupo Perpetuum Jazzile, da Eslovênia. O grupo tem vozes impressionantes. No início do vídeo, os cantores simulam uma tempestade na África, com sons feitos com as mãos e pulos no palco.
Mais vídeos do grupo Perpetuum Jazzile podem ser encontrados no canal de jantrost no YouTube.
http://www.youtube.com/watch?v=LzHUcEHKJYk
Este vídeo apresenta um clássico pop dos anos 1980, "Africa", sucesso da banda de rock Toto. A música é logo identificada, mas foi reinventada pelo grupo Perpetuum Jazzile, da Eslovênia. O grupo tem vozes impressionantes. No início do vídeo, os cantores simulam uma tempestade na África, com sons feitos com as mãos e pulos no palco.
Mais vídeos do grupo Perpetuum Jazzile podem ser encontrados no canal de jantrost no YouTube.
http://www.youtube.com/watch?v=LzHUcEHKJYk
O que é a não-violência ativa?
O que é a não-violência ativa?
No mundo de hoje, a violência cresce e se espalha a todos os campos, gerando um clima de medo, incerteza, asfixia e isolamento. Não se trata apenas de violência física, da guerra e da criminalidade. Existe também a violência econômica, racial, religiosa, psicológica; a violência doméstica, familiar; a violência interna. Não-violência não é pacifismo. Não-violência não é um simples slogan para manifestações. Não-violência não é atitude resignada de quem evita, por temor, o enfrentamento e a discussão. A não-violência é uma grande filosofia de vida e uma metodologia de ação, que sempre foi inspirada em profundas condições morais e religiosas, e que hoje representa a única resposta coerente à espiral de violência que nos rodeia. Vejamos, rapidamente, algumas das coisas que foram ditas sobre a não-violência, e alguns movimentos para os quais a não-violência foi fonte de inspiração. Vídeo em espanhol, com legendas em português.
"O QUE É A NÃO-VIOLÊNCIA ATIVA?" NO BLIP.TV
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No mundo de hoje, a violência cresce e se espalha a todos os campos, gerando um clima de medo, incerteza, asfixia e isolamento. Não se trata apenas de violência física, da guerra e da criminalidade. Existe também a violência econômica, racial, religiosa, psicológica; a violência doméstica, familiar; a violência interna. Não-violência não é pacifismo. Não-violência não é um simples slogan para manifestações. Não-violência não é atitude resignada de quem evita, por temor, o enfrentamento e a discussão. A não-violência é uma grande filosofia de vida e uma metodologia de ação, que sempre foi inspirada em profundas condições morais e religiosas, e que hoje representa a única resposta coerente à espiral de violência que nos rodeia. Vejamos, rapidamente, algumas das coisas que foram ditas sobre a não-violência, e alguns movimentos para os quais a não-violência foi fonte de inspiração. Vídeo em espanhol, com legendas em português.
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
"Da cocaína ao crack", de Andrea Domanico
Da cocaína ao crack
A “epidemia do crack” pode ser considerada um resultado da política proibicionista antidrogas, uma vez que a ausência dos componentes químicos (como éter e acetona) “obrigou” os comerciantes de drogas a recuperar o uso de cocaína fumada.
Andrea Domanico*
Historicamente, o ser humano sempre utilizou substâncias psicoativas para finalidades de natureza lúdica, religiosa e curativa. A folha da coca (Erythroxylon coca) vem sendo usada há milhares de anos, na América, sendo geralmente mastigada junto com um produto de natureza alcalina, como cal, cinzas, ou uma matéria produzida a partir de certos moluscos. Esta combinação ajuda a liberação da cocaína presente nas folhas e é de grande importância para a produção de seus efeitos psicoativos. Relata-se que esse uso suprime as sensações de fome, de frio e cansaço causados pela altitude, ajudando até hoje as populações andinas, de origem indígena, a suportar suas duras condições de vida e a realizar tarefas árduas em condições de subnutrição.

Erythroxylon coca
Contudo, a Europa demorou a comprovar seus efeitos, uma vez que durante seu transporte para aquele continente as folhas perdiam suas propriedades psicoativas. Além disso, os europeus não sabiam mastigá-las da forma correta e, assim, por muito tempo, consideraram que os efeitos relatados eram fruto da imaginação de povos primitivos ou de pactos com o diabo.
O século XIX testemunhou o desenvolvimento da química e o aperfeiçoamento de seus métodos de pesquisa. Em decorrência desse aprimoramento, nessa época foram isolados os princípios ativos de numerosas plantas psicoativas, possibilitando o desenvolvimento de várias novas drogas como a morfina (1803), a heroína (1859) e a própria cocaína (1859). Em 1883, esta última já era testada no exército alemão como estimulante para soldados nos campos de batalha, e logo chamou a atenção de Freud, que se tornou seu maior “propagandista”. Ele a considerava de grande valia como estimulante, na terapia de depressão, no tratamento de perturbações digestivas, no tratamento da tuberculose, nos tratamentos de abstinência de alcoolistas e opiômanos, no alívio da asma, como afrodisíaco e como anestésico local.
Após o reconhecimento das propriedades da cocaína pelos cientistas ela passou a ser utilizada de diversas maneiras, inicialmente por injeção endovenosa ou por aspiração intranasal. Outras formas de administração surgiram em seguida através de vinhos, pastilhas e unguentos, largamente comercializados por laboratórios farmacêuticos, principalmente de nacionalidade alemã. Em 1887, a Coca-Cola começou a ser produzida nos Estados Unidos. Bebida feita a partir da folha da coca e da noz de cola (Cola nítida), estimulante largamente usada na África Ocidental, tem como princípios ativos a cafeína e a teobromina. Mas, em 1903, uma decisão da Comissão Presidencial estadunidense levou à proibição do uso de cocaína em alimentos e, a partir de então, as folhas utilizadas no produto deveriam passar por um processo de descocainização antes de serem adicionadas à bebida, restando aos seus produtores os direitos de comercialização do psicoativo retirado.
Apesar da grande popularidade de que gozou entre 1885 e 1905, diversas vozes críticas se levantaram contra o uso generalizado e não-medicamentoso da cocaína. Na virada do século, o consumo de opiáceos e de cocaína passou a ser visto como problema social nos Estados Unidos, assim como o de bebidas alcoólicas. Essa mudança de atitude deveu-se a um poderoso movimento pela temperança envolvendo diferentes interesses econômicos e políticos, como os de grupos religiosos, da emergente indústria farmacêutica, de diferentes nações industrializadas em competição e de segmentos da corporação médica.
Nos Estados Unidos, sentimentos racistas fomentaram campanhas contra o uso de cocaína, retratada como uma droga muito usada por negros, que os levaria a praticarem atos de violência contra a população branca. Internacionalmente, discutia-se o controle e a proibição dos opiáceos, cuja produção e comercialização eram principalmente identificados com o Império Britânico. Este, em meados do século XIX, travara duas guerras com a China para garantir seu direito a suprir os traficantes chineses com o produto. A campanha contra esse comércio internacional era principalmente movida pelos Estados Unidos, que via aí uma possibilidade de se impor como nova potência mundial capaz de confrontar na Ásia o principal agente político da época.
Frente à impossibilidade de continuar operando esse lucrativo negócio, a Grã-Bretanha conseguiu mudar a ênfase da “questão do ópio” para “o problema mundial das drogas”, aproveitando para incluir no rol das substâncias a serem proscritas a cocaína, cuja produção era em grande parte dominada por laboratórios da Alemanha, sua grande rival. A derrota desse país na Primeira Guerra Mundial levou à consolidação dessa proibição no Tratado de Versalhes.
Embora a cocaína continuasse a ser usada, ela perdeu muito do seu antigo prestígio em meados de 1920, sendo identificada como prática de populações marginalizadas, como os negros estadunidenses, e somente voltou a ser largamente utilizada a partir da década de 1970. Atualmente, as principais plantações de coca encontram-se na América do Sul, principalmente na Bolívia, Peru e Colômbia, países onde a planta é cultivada pela população camponesa de etnia indígena, tanto para usos tradicionais quanto para fornecer matéria-prima ao tráfico ilícito de cocaína.
DAS FOLHAS AO PÓ
Primeiramente, logo após a colheita, as folhas são colocadas ao sol para uma rápida secagem. Depois, são enviadas para outras localidades que devem ser próximas, para evitar a decomposição do princípio ativo presente nas folhas, onde são convertidas em “pasta-base”. Para tanto, são moídas e colocadas em uma prensa com ácido sulfúrico, querosene ou gasolina, e comprimidas até formarem uma massa contendo até 90% de sulfato de cocaína.

Secagem das folhas de coca

Pasta-base
Outros e variados solventes podem ser usados nesse processo, dificultando muito a sua repressão que se exerce, em grande parte, por meio de tentativas de controle dos insumos.
Após a obtenção da pasta o processo torna-se mais complexo, necessitando de equipamento mais sofisticado e treinamento específico para se remover as impurezas remanescentes. Nessa etapa a pasta deve ser tratada com ácido hidroclórico, que age como solvente e produz o cloridrato de cocaína, branco e cristalino. Nesta forma a cocaína pode ser aspirada, ingerida ou dissolvida em água, para ser injetada. Ao contrário da pasta-base, não pode ser fumada, pois ao se acender, a cocaína se decompõe antes de se volatilizar.

Cloridrato de cocaína
Anteriormente, a complexidade dessa última etapa exigia que a pasta fosse transportada para os grandes centros metropolitanos. Hoje, as técnicas necessárias já estão mais disseminadas em regiões próximas das plantações, mas a atuação das forças de repressão leva a frequentes deslocamentos dos laboratórios de refino, dificultando a manutenção de padrões de pureza do produto final. Normalmente, esses laboratórios de produção encontram-se próximos a rios ou possuem pistas clandestinas de pouso para o escoamento da produção e sua posterior distribuição pelo mundo afora.
DO PÓ À PEDRA
A partir da década de 1970, a difusão do uso de drogas nas camadas sociais médias americanas e europeias impulsionou uma retomada do uso do cloridrato de cocaína (pó) por aspiração intranasal. Nas décadas seguintes, a prática se difundiu e essa substância veio a substituir as anfetaminas (que passaram a ter sua venda controlada) e a maconha, quando estas faltavam no mercado devido à repressão governamental. Porém, o alto preço manteve o seu uso confinado às camadas de maior poder aquisitivo. A partir do início da década de 1980, alguns dependentes e usuários frequentes descobriram uma forma de usar o produto que produzia efeitos mais intensos, embora de menor duração. Era o consumo de “freebase”, fumado em cachimbos de vidro que, aceso, produz vapores de cocaína relativamente pura. Para produzi-lo, misturava-se cloridrato de cocaína numa base líquida (tal como amoníaco, bicarbonato de sódio ou hidróxido de sódio) para remover o ácido hidroclórico. O alcaloide de cocaína resultante era então dissolvido e purificado em um solvente como éter e aquecido em fogo brando até que a maior parte do líquido se dissolvesse.
Já o crack, outra forma fumável de cocaína, surgiu algum tempo depois, entre setores carentes da população negra e latina das decadentes áreas centrais de New York, Los Angeles e Miami. Sua produção era similar à do “freebase”, mas prescindia do processo de purificação final: o cloridrato de cocaína era dissolvido em água, adicionava-se bicarbonato de sódio, aquecia-se a mistura que, ao secar, adquiria a forma de pedras duras e fumáveis. Essas pedras continham não somente alcaloides de cocaína, mas também bicarbonato de sódio e todos os outros ingredientes que haviam sido adicionados anteriormente ao pó. Mas, apesar do crack não ser tão puro quanto o “freebase”, ao ser aceso, libera um vapor que é em grande parte cocaína pura, produzindo um efeito parecido àquele. Porém, ao contrário do “freebase”, geralmente preparado pelos próprios usuários a partir do pó, o crack era geralmente produzido pelos traficantes e vendido já pronto para ser fumado.

Crack
O crack logo se tornou muito popular, embora seu uso não se tornasse tão comum quanto o do pó, o cloridrato de cocaína. Porém, devido ao fato de que fumar é uma forma mais eficiente de levar uma droga ao cérebro, a diminuição da quantidade de cocaína necessária para produzir um efeito forte possibilitou uma redução considerável no preço, tornando assim acessível às camadas mais pobres o uso do que até então era considerado “o champanhe das drogas”.
Esse produto também permitia que se auferissem maiores lucros da pasta-base que ainda chegava aos Estados Unidos para lá ser refinada e transformada em cocaína em pó. Mas, muitas vezes, os insumos químicos, como éter e acetona, necessários para a transformação da pasta-base em cocaína, não estavam prontamente disponíveis devido ao controle governamental exercido sobre a sua comercialização. Para evitar maiores perdas financeiras, os traficantes passaram então a produzir essa forma menos pura, no entanto, mais facilmente vendável. A “epidemia do crack” pode, portanto, ser considerada, de certo modo, um resultado da política proibicionista antidrogas, uma vez que a ausência dos componentes químicos “obrigou” os comerciantes de drogas a recuperar o uso de cocaína fumada.
O nome crack, ao que tudo indica, se deve ao barulho provocado pela “queima” da pedra durante o seu uso. Mais do que isso, este subproduto da cocaína representava, de fato, uma inovação da produção. Era uma maneira de comercializar a cocaína, uma mercadoria cara e de prestígio, em pequenas unidades baratas. Apresentada dessa maneira, esse tipo de cocaína fumável era vendida nas ruas por jovens negros e latinos para uma nova clientela. Seu sucesso se deveu a vários fatores. Por um lado, havia um grande contingente de jovens desempregados dispostos a trabalhar no novo negócio de preparação caseira do crack e de vendê-lo em sua própria vizinhança. Era uma ocupação mais rentável que qualquer outro emprego disponível a eles, tanto na economia oficial quanto na criminosa. Além disso, essa inovação mercadológica, ao transformar a cocaína em pó em pedras fumáveis, mudava a maneira como a droga era consumida e reforçava de forma dramática a natureza da intoxicação cocaínica, tornando-a breve, mas intensa. Assim, o novo produto logo se tornou um grande sucesso de vendas e fonte de lucro para todos os escalões do tráfico.
É importante ficar claro que o crack pode ser obtido de duas formas. A partir do cloridrato, onde sua confecção é caseira e de pequena escala, e a partir da pasta-base, onde sua confecção é mais industrializada. Essa nova maneira de se usar cocaína também apresentava a possibilidade de se aproveitar a substância, mesmo quando úmida e de difícil aspiração. Até então, quando os usuários encontravam a cocaína neste estado, tinham somente duas alternativas. Tentavam secá-la, colocando-a num prato de louça a ser aquecida aos poucos, para sua posterior aspiração, ou a diluíam em água, para torná-la injetável.
Injetar cocaína representa também um risco de overdose que muitos usuários preferem evitar. Além disso, a partir do final da década de 1980, essa prática passou a carregar o estigma de ser uma importante via de transmissão do vírus HIV, que provoca a AIDS.
* Excerto de “‘CRAQUEIROS E CRACADOS: BEM-VINDO AO MUNDO DOS NOIAS!’ – Estudo sobre a implementação de estratégias de redução de danos para usuários de crack nos cinco projetos-piloto do Brasil”, tese apresentada por Andrea Domanico ao Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora em Ciências Sociais.
Fonte: Scribd
A “epidemia do crack” pode ser considerada um resultado da política proibicionista antidrogas, uma vez que a ausência dos componentes químicos (como éter e acetona) “obrigou” os comerciantes de drogas a recuperar o uso de cocaína fumada.
Andrea Domanico*
Historicamente, o ser humano sempre utilizou substâncias psicoativas para finalidades de natureza lúdica, religiosa e curativa. A folha da coca (Erythroxylon coca) vem sendo usada há milhares de anos, na América, sendo geralmente mastigada junto com um produto de natureza alcalina, como cal, cinzas, ou uma matéria produzida a partir de certos moluscos. Esta combinação ajuda a liberação da cocaína presente nas folhas e é de grande importância para a produção de seus efeitos psicoativos. Relata-se que esse uso suprime as sensações de fome, de frio e cansaço causados pela altitude, ajudando até hoje as populações andinas, de origem indígena, a suportar suas duras condições de vida e a realizar tarefas árduas em condições de subnutrição.

Erythroxylon coca
Contudo, a Europa demorou a comprovar seus efeitos, uma vez que durante seu transporte para aquele continente as folhas perdiam suas propriedades psicoativas. Além disso, os europeus não sabiam mastigá-las da forma correta e, assim, por muito tempo, consideraram que os efeitos relatados eram fruto da imaginação de povos primitivos ou de pactos com o diabo.
O século XIX testemunhou o desenvolvimento da química e o aperfeiçoamento de seus métodos de pesquisa. Em decorrência desse aprimoramento, nessa época foram isolados os princípios ativos de numerosas plantas psicoativas, possibilitando o desenvolvimento de várias novas drogas como a morfina (1803), a heroína (1859) e a própria cocaína (1859). Em 1883, esta última já era testada no exército alemão como estimulante para soldados nos campos de batalha, e logo chamou a atenção de Freud, que se tornou seu maior “propagandista”. Ele a considerava de grande valia como estimulante, na terapia de depressão, no tratamento de perturbações digestivas, no tratamento da tuberculose, nos tratamentos de abstinência de alcoolistas e opiômanos, no alívio da asma, como afrodisíaco e como anestésico local.
Após o reconhecimento das propriedades da cocaína pelos cientistas ela passou a ser utilizada de diversas maneiras, inicialmente por injeção endovenosa ou por aspiração intranasal. Outras formas de administração surgiram em seguida através de vinhos, pastilhas e unguentos, largamente comercializados por laboratórios farmacêuticos, principalmente de nacionalidade alemã. Em 1887, a Coca-Cola começou a ser produzida nos Estados Unidos. Bebida feita a partir da folha da coca e da noz de cola (Cola nítida), estimulante largamente usada na África Ocidental, tem como princípios ativos a cafeína e a teobromina. Mas, em 1903, uma decisão da Comissão Presidencial estadunidense levou à proibição do uso de cocaína em alimentos e, a partir de então, as folhas utilizadas no produto deveriam passar por um processo de descocainização antes de serem adicionadas à bebida, restando aos seus produtores os direitos de comercialização do psicoativo retirado.
Apesar da grande popularidade de que gozou entre 1885 e 1905, diversas vozes críticas se levantaram contra o uso generalizado e não-medicamentoso da cocaína. Na virada do século, o consumo de opiáceos e de cocaína passou a ser visto como problema social nos Estados Unidos, assim como o de bebidas alcoólicas. Essa mudança de atitude deveu-se a um poderoso movimento pela temperança envolvendo diferentes interesses econômicos e políticos, como os de grupos religiosos, da emergente indústria farmacêutica, de diferentes nações industrializadas em competição e de segmentos da corporação médica.
Nos Estados Unidos, sentimentos racistas fomentaram campanhas contra o uso de cocaína, retratada como uma droga muito usada por negros, que os levaria a praticarem atos de violência contra a população branca. Internacionalmente, discutia-se o controle e a proibição dos opiáceos, cuja produção e comercialização eram principalmente identificados com o Império Britânico. Este, em meados do século XIX, travara duas guerras com a China para garantir seu direito a suprir os traficantes chineses com o produto. A campanha contra esse comércio internacional era principalmente movida pelos Estados Unidos, que via aí uma possibilidade de se impor como nova potência mundial capaz de confrontar na Ásia o principal agente político da época.
Frente à impossibilidade de continuar operando esse lucrativo negócio, a Grã-Bretanha conseguiu mudar a ênfase da “questão do ópio” para “o problema mundial das drogas”, aproveitando para incluir no rol das substâncias a serem proscritas a cocaína, cuja produção era em grande parte dominada por laboratórios da Alemanha, sua grande rival. A derrota desse país na Primeira Guerra Mundial levou à consolidação dessa proibição no Tratado de Versalhes.
Embora a cocaína continuasse a ser usada, ela perdeu muito do seu antigo prestígio em meados de 1920, sendo identificada como prática de populações marginalizadas, como os negros estadunidenses, e somente voltou a ser largamente utilizada a partir da década de 1970. Atualmente, as principais plantações de coca encontram-se na América do Sul, principalmente na Bolívia, Peru e Colômbia, países onde a planta é cultivada pela população camponesa de etnia indígena, tanto para usos tradicionais quanto para fornecer matéria-prima ao tráfico ilícito de cocaína.
DAS FOLHAS AO PÓ
Primeiramente, logo após a colheita, as folhas são colocadas ao sol para uma rápida secagem. Depois, são enviadas para outras localidades que devem ser próximas, para evitar a decomposição do princípio ativo presente nas folhas, onde são convertidas em “pasta-base”. Para tanto, são moídas e colocadas em uma prensa com ácido sulfúrico, querosene ou gasolina, e comprimidas até formarem uma massa contendo até 90% de sulfato de cocaína.

Secagem das folhas de coca

Pasta-base
Outros e variados solventes podem ser usados nesse processo, dificultando muito a sua repressão que se exerce, em grande parte, por meio de tentativas de controle dos insumos.
Após a obtenção da pasta o processo torna-se mais complexo, necessitando de equipamento mais sofisticado e treinamento específico para se remover as impurezas remanescentes. Nessa etapa a pasta deve ser tratada com ácido hidroclórico, que age como solvente e produz o cloridrato de cocaína, branco e cristalino. Nesta forma a cocaína pode ser aspirada, ingerida ou dissolvida em água, para ser injetada. Ao contrário da pasta-base, não pode ser fumada, pois ao se acender, a cocaína se decompõe antes de se volatilizar.

Cloridrato de cocaína
Anteriormente, a complexidade dessa última etapa exigia que a pasta fosse transportada para os grandes centros metropolitanos. Hoje, as técnicas necessárias já estão mais disseminadas em regiões próximas das plantações, mas a atuação das forças de repressão leva a frequentes deslocamentos dos laboratórios de refino, dificultando a manutenção de padrões de pureza do produto final. Normalmente, esses laboratórios de produção encontram-se próximos a rios ou possuem pistas clandestinas de pouso para o escoamento da produção e sua posterior distribuição pelo mundo afora.
DO PÓ À PEDRA
A partir da década de 1970, a difusão do uso de drogas nas camadas sociais médias americanas e europeias impulsionou uma retomada do uso do cloridrato de cocaína (pó) por aspiração intranasal. Nas décadas seguintes, a prática se difundiu e essa substância veio a substituir as anfetaminas (que passaram a ter sua venda controlada) e a maconha, quando estas faltavam no mercado devido à repressão governamental. Porém, o alto preço manteve o seu uso confinado às camadas de maior poder aquisitivo. A partir do início da década de 1980, alguns dependentes e usuários frequentes descobriram uma forma de usar o produto que produzia efeitos mais intensos, embora de menor duração. Era o consumo de “freebase”, fumado em cachimbos de vidro que, aceso, produz vapores de cocaína relativamente pura. Para produzi-lo, misturava-se cloridrato de cocaína numa base líquida (tal como amoníaco, bicarbonato de sódio ou hidróxido de sódio) para remover o ácido hidroclórico. O alcaloide de cocaína resultante era então dissolvido e purificado em um solvente como éter e aquecido em fogo brando até que a maior parte do líquido se dissolvesse.
Já o crack, outra forma fumável de cocaína, surgiu algum tempo depois, entre setores carentes da população negra e latina das decadentes áreas centrais de New York, Los Angeles e Miami. Sua produção era similar à do “freebase”, mas prescindia do processo de purificação final: o cloridrato de cocaína era dissolvido em água, adicionava-se bicarbonato de sódio, aquecia-se a mistura que, ao secar, adquiria a forma de pedras duras e fumáveis. Essas pedras continham não somente alcaloides de cocaína, mas também bicarbonato de sódio e todos os outros ingredientes que haviam sido adicionados anteriormente ao pó. Mas, apesar do crack não ser tão puro quanto o “freebase”, ao ser aceso, libera um vapor que é em grande parte cocaína pura, produzindo um efeito parecido àquele. Porém, ao contrário do “freebase”, geralmente preparado pelos próprios usuários a partir do pó, o crack era geralmente produzido pelos traficantes e vendido já pronto para ser fumado.

Crack
O crack logo se tornou muito popular, embora seu uso não se tornasse tão comum quanto o do pó, o cloridrato de cocaína. Porém, devido ao fato de que fumar é uma forma mais eficiente de levar uma droga ao cérebro, a diminuição da quantidade de cocaína necessária para produzir um efeito forte possibilitou uma redução considerável no preço, tornando assim acessível às camadas mais pobres o uso do que até então era considerado “o champanhe das drogas”.
Esse produto também permitia que se auferissem maiores lucros da pasta-base que ainda chegava aos Estados Unidos para lá ser refinada e transformada em cocaína em pó. Mas, muitas vezes, os insumos químicos, como éter e acetona, necessários para a transformação da pasta-base em cocaína, não estavam prontamente disponíveis devido ao controle governamental exercido sobre a sua comercialização. Para evitar maiores perdas financeiras, os traficantes passaram então a produzir essa forma menos pura, no entanto, mais facilmente vendável. A “epidemia do crack” pode, portanto, ser considerada, de certo modo, um resultado da política proibicionista antidrogas, uma vez que a ausência dos componentes químicos “obrigou” os comerciantes de drogas a recuperar o uso de cocaína fumada.
O nome crack, ao que tudo indica, se deve ao barulho provocado pela “queima” da pedra durante o seu uso. Mais do que isso, este subproduto da cocaína representava, de fato, uma inovação da produção. Era uma maneira de comercializar a cocaína, uma mercadoria cara e de prestígio, em pequenas unidades baratas. Apresentada dessa maneira, esse tipo de cocaína fumável era vendida nas ruas por jovens negros e latinos para uma nova clientela. Seu sucesso se deveu a vários fatores. Por um lado, havia um grande contingente de jovens desempregados dispostos a trabalhar no novo negócio de preparação caseira do crack e de vendê-lo em sua própria vizinhança. Era uma ocupação mais rentável que qualquer outro emprego disponível a eles, tanto na economia oficial quanto na criminosa. Além disso, essa inovação mercadológica, ao transformar a cocaína em pó em pedras fumáveis, mudava a maneira como a droga era consumida e reforçava de forma dramática a natureza da intoxicação cocaínica, tornando-a breve, mas intensa. Assim, o novo produto logo se tornou um grande sucesso de vendas e fonte de lucro para todos os escalões do tráfico.
É importante ficar claro que o crack pode ser obtido de duas formas. A partir do cloridrato, onde sua confecção é caseira e de pequena escala, e a partir da pasta-base, onde sua confecção é mais industrializada. Essa nova maneira de se usar cocaína também apresentava a possibilidade de se aproveitar a substância, mesmo quando úmida e de difícil aspiração. Até então, quando os usuários encontravam a cocaína neste estado, tinham somente duas alternativas. Tentavam secá-la, colocando-a num prato de louça a ser aquecida aos poucos, para sua posterior aspiração, ou a diluíam em água, para torná-la injetável.
Injetar cocaína representa também um risco de overdose que muitos usuários preferem evitar. Além disso, a partir do final da década de 1980, essa prática passou a carregar o estigma de ser uma importante via de transmissão do vírus HIV, que provoca a AIDS.
* Excerto de “‘CRAQUEIROS E CRACADOS: BEM-VINDO AO MUNDO DOS NOIAS!’ – Estudo sobre a implementação de estratégias de redução de danos para usuários de crack nos cinco projetos-piloto do Brasil”, tese apresentada por Andrea Domanico ao Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora em Ciências Sociais.
Fonte: Scribd
Maconha: perigo ou esperança?
Maconha: perigo ou esperança?
Maconha. A erva do demônio. Assassina da juventude. Jovens bons logo se tornam maus. Esse foi o retrato da maconha durante quase um século, após passar muito tempo descrita como a droga do inferno, responsável por comportamentos violentos e psicóticos. Muitos pesquisadores acreditam que ela seja relativamente benigna, porém continua ilícita e demonizada em grande parte do mundo. A maconha nunca foi tão cara e potente como é hoje. As autoridades combatem seu uso enquanto clubes de maconha despontam e agriculturistas obsessivos estão aperfeiçoando o estudo sobre essa planta. Respire fundo. Esta não é a maconha que seu pai conhecia. Documentário do National Geographic Channel, dublado em português do Brasil.
"MACONHA: PERIGO OU ESPERANÇA?" NO YOUTUBE (Canal de vingad)
Parte 1 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=2QGM70BZsIg
Parte 2 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=FAgsW1BnNhE
Parte 3 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=f6tBaWzKgAQ
Parte 4 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=6zeEvjcsNkg
Parte 5 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=3rvvn9wGEEo
Parte 6 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=hbc31Fln1Hc
Parte 7 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=tKpEEWnfgh4
-&-
"MACONHA: PERIGO OU ESPERANÇA?" NO BLIP.TV
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Maconha. A erva do demônio. Assassina da juventude. Jovens bons logo se tornam maus. Esse foi o retrato da maconha durante quase um século, após passar muito tempo descrita como a droga do inferno, responsável por comportamentos violentos e psicóticos. Muitos pesquisadores acreditam que ela seja relativamente benigna, porém continua ilícita e demonizada em grande parte do mundo. A maconha nunca foi tão cara e potente como é hoje. As autoridades combatem seu uso enquanto clubes de maconha despontam e agriculturistas obsessivos estão aperfeiçoando o estudo sobre essa planta. Respire fundo. Esta não é a maconha que seu pai conhecia. Documentário do National Geographic Channel, dublado em português do Brasil.
"MACONHA: PERIGO OU ESPERANÇA?" NO YOUTUBE (Canal de vingad)
Parte 1 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=2QGM70BZsIg
Parte 2 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=FAgsW1BnNhE
Parte 3 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=f6tBaWzKgAQ
Parte 4 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=6zeEvjcsNkg
Parte 5 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=3rvvn9wGEEo
Parte 6 de 7
http://www.youtube.com/watch?v=hbc31Fln1Hc
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Por que a maconha continua proibida?
Por que a maconha continua proibida?
Interesses da indústria farmacêutica, de tabaco e de bebidas são parte do motivo, como mostra bem este ótimo clipe do documentário "American Drug War". Ele mostra como a guerra às drogas é a guerra contra NOSSAS drogas em favor das drogas DELES; contra as plantas em favor de remédios com patentes. Os andinos mascam as folhas de coca desde sempre. A maconha pode ser cultivada em qualquer quintal - como o boldo - e serve para um monte de coisas. Os maiores contribuintes da "Drug Free America" são a indústria do tabaco e da bebida.
"POR QUE A MACONHA CONTINUA PROIBIDA?" NO BLIP.TV
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Interesses da indústria farmacêutica, de tabaco e de bebidas são parte do motivo, como mostra bem este ótimo clipe do documentário "American Drug War". Ele mostra como a guerra às drogas é a guerra contra NOSSAS drogas em favor das drogas DELES; contra as plantas em favor de remédios com patentes. Os andinos mascam as folhas de coca desde sempre. A maconha pode ser cultivada em qualquer quintal - como o boldo - e serve para um monte de coisas. Os maiores contribuintes da "Drug Free America" são a indústria do tabaco e da bebida.
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Expressão Nacional debate a liberação da maconha
Expressão Nacional debate a liberação da maconha
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara decidiu convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre sua participação na Marcha da Maconha. Para os deputados, o ministro fez apologia à droga, crime previsto no Código Penal. Minc participou da Marcha da Maconha realizada no Rio de Janeiro no dia 9 de maio de 2009. A marcha ocorreu em também em outras 250 cidades do mundo. O ministro disse que "grande parte da violência que nós sofremos é por causa do tráfico. Usuário não pode ser tratado como criminoso". Com a participação de Laerte Bessa, Chico Alencar, Renato Cinco e Valter Xavier, o Expressão Nacional discute a descriminalização da droga e seu uso terapêutico. TV Câmara, 9/6/2009.
"EXPRESSÃO NACIONAL DEBATE..." NO BLIP.TV
Bloco 1 de 3
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Bloco 2 de 3
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Bloco 3 de 3
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A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara decidiu convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre sua participação na Marcha da Maconha. Para os deputados, o ministro fez apologia à droga, crime previsto no Código Penal. Minc participou da Marcha da Maconha realizada no Rio de Janeiro no dia 9 de maio de 2009. A marcha ocorreu em também em outras 250 cidades do mundo. O ministro disse que "grande parte da violência que nós sofremos é por causa do tráfico. Usuário não pode ser tratado como criminoso". Com a participação de Laerte Bessa, Chico Alencar, Renato Cinco e Valter Xavier, o Expressão Nacional discute a descriminalização da droga e seu uso terapêutico. TV Câmara, 9/6/2009.
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MTV Debate: A política de drogas do Brasil é eficiente?
MTV Debate: A política de drogas do Brasil é eficiente?
Sob o tema "A política de drogas do Brasil é eficiente?", o MTV Debate reuniu Lobão, Carlos Magno, Cristiano Maronna, Isabel Ferreira, Dartiu Xavier, Daniel Cordeiro e Marco Magri.
"MTV DEBATE: A POLÍTICA DE DROGAS..." NO BLIP.TV
Bloco 1 de 4
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"Para que servem as revoluções?", de Moacyr Scliar
Para que servem as revoluções?
Será que revoluções estão condenadas ao fracasso? Será que elas contêm em si próprias o germe da autodestruição?
Moacyr Scliar
Na data de hoje, há 220 anos, uma multidão enfurecida invadia a fortaleza da Bastilha, em Paris, libertando os poucos prisioneiros que ali se encontravam (quatro falsários, dois nobres acusados de comportamento imoral e um suspeito de assassinato), apossou-se de armas e munições e decapitou o diretor, o Marquês de Launay, cuja cabeça, espetada num pau, desfilou pela cidade, conduzida por uma exultante multidão. O 14 de julho passou a ser a data-símbolo da Revolução Francesa, um movimento que nasceu da fome, da miséria, do desespero, e do contraste entre esta situação e aquela de uma classe de ricos e nobres que, em palácios como Versalhes, gozavam a vida sem se preocupar com a massa. Maria Antonieta nunca disse, a propósito dos famintos, que, se não tinham pão, poderiam comer bolos; mas não por acaso a frase lhe foi atribuída: correspondia a um tipo de alienação que ultrapassava qualquer limite de sensatez.
Sensata, a revolução não foi. Não era de esperar que o fosse, mas o que aconteceu ultrapassou qualquer expectativa. O regime do Terror decapitou milhares de cabeças, graças à máquina do doutor Guillotin (não sei se hoje alguém consultaria esse médico), incluindo as cabeças coroadas, mas também a de gênios como Antoine Lavoisier – cerca de 17 mil executados: uma canaleta teve de ser construída para conduzir o sangue que jorrava da máquina. Em 1804, Napoleão coroava-se imperador, restabelecendo, pois, a monarquia.
A Revolução Francesa estabeleceu um modelo. Em 1917, os bolcheviques derrubavam o governo tzarista na Rússia, e Lenin anunciava o nascimento de uma nova sociedade. Um sonho que Stalin se encarregou de sepultar: os campos de concentração transformaram-se numa versão mais sutil, mas nem por isso menos sinistra, do terror revolucionário francês. Com a queda do Muro de Berlim sumiu o comunismo e apareceu a máfia russa, herdeira dos corruptos e espertalhões que, no governo da finada URSS, haviam aprendido a se beneficiar da situação.
Revolução é, como sabemos, um termo vago, que pode se aplicar inclusive a golpes militares e à tomada do poder por caudillhos. Mas a Revolução Francesa e a Revolução Russa realmente correspondiam à intenção, inspirada inclusive por ideais generosos, de uma mudança profunda da situação social. Pergunta: será que revoluções estão condenadas ao fracasso? Será que elas contêm em si próprias o germe da autodestruição?
Não. Bem ou mal, revoluções cumprem um papel. As revoluções servem para advertir àqueles que têm poder, riqueza e/ou inteligência de que as coisas precisam mudar. Não é todo mundo que se dá conta disso. O Brasil teve escravidão durante muitos séculos e os donos de escravos achavam aquilo perfeitamente natural. Durante muito tempo o regime de trabalho – para homens, mulheres e crianças – era de 14 horas diárias, e os donos de indústria achavam aquilo perfeitamente natural. Durante muito tempo mulheres não puderam votar, e políticos achavam aquilo perfeitamente natural. Mas a possibilidade de revolução, de virada de mesa, serve como advertência e inspira pensamentos como aquele “Façamos a revolução antes que o povo a faça”, do governador mineiro Antonio Carlos. Entregar os anéis para não perder os dedos (ou a cabeça) pode ser uma troca vantajosa.
Fonte: Jornal “Zero Hora” nº. 16030, 14/7/2009.
Será que revoluções estão condenadas ao fracasso? Será que elas contêm em si próprias o germe da autodestruição?
Moacyr Scliar
Na data de hoje, há 220 anos, uma multidão enfurecida invadia a fortaleza da Bastilha, em Paris, libertando os poucos prisioneiros que ali se encontravam (quatro falsários, dois nobres acusados de comportamento imoral e um suspeito de assassinato), apossou-se de armas e munições e decapitou o diretor, o Marquês de Launay, cuja cabeça, espetada num pau, desfilou pela cidade, conduzida por uma exultante multidão. O 14 de julho passou a ser a data-símbolo da Revolução Francesa, um movimento que nasceu da fome, da miséria, do desespero, e do contraste entre esta situação e aquela de uma classe de ricos e nobres que, em palácios como Versalhes, gozavam a vida sem se preocupar com a massa. Maria Antonieta nunca disse, a propósito dos famintos, que, se não tinham pão, poderiam comer bolos; mas não por acaso a frase lhe foi atribuída: correspondia a um tipo de alienação que ultrapassava qualquer limite de sensatez.
Sensata, a revolução não foi. Não era de esperar que o fosse, mas o que aconteceu ultrapassou qualquer expectativa. O regime do Terror decapitou milhares de cabeças, graças à máquina do doutor Guillotin (não sei se hoje alguém consultaria esse médico), incluindo as cabeças coroadas, mas também a de gênios como Antoine Lavoisier – cerca de 17 mil executados: uma canaleta teve de ser construída para conduzir o sangue que jorrava da máquina. Em 1804, Napoleão coroava-se imperador, restabelecendo, pois, a monarquia.
A Revolução Francesa estabeleceu um modelo. Em 1917, os bolcheviques derrubavam o governo tzarista na Rússia, e Lenin anunciava o nascimento de uma nova sociedade. Um sonho que Stalin se encarregou de sepultar: os campos de concentração transformaram-se numa versão mais sutil, mas nem por isso menos sinistra, do terror revolucionário francês. Com a queda do Muro de Berlim sumiu o comunismo e apareceu a máfia russa, herdeira dos corruptos e espertalhões que, no governo da finada URSS, haviam aprendido a se beneficiar da situação.
Revolução é, como sabemos, um termo vago, que pode se aplicar inclusive a golpes militares e à tomada do poder por caudillhos. Mas a Revolução Francesa e a Revolução Russa realmente correspondiam à intenção, inspirada inclusive por ideais generosos, de uma mudança profunda da situação social. Pergunta: será que revoluções estão condenadas ao fracasso? Será que elas contêm em si próprias o germe da autodestruição?
Não. Bem ou mal, revoluções cumprem um papel. As revoluções servem para advertir àqueles que têm poder, riqueza e/ou inteligência de que as coisas precisam mudar. Não é todo mundo que se dá conta disso. O Brasil teve escravidão durante muitos séculos e os donos de escravos achavam aquilo perfeitamente natural. Durante muito tempo o regime de trabalho – para homens, mulheres e crianças – era de 14 horas diárias, e os donos de indústria achavam aquilo perfeitamente natural. Durante muito tempo mulheres não puderam votar, e políticos achavam aquilo perfeitamente natural. Mas a possibilidade de revolução, de virada de mesa, serve como advertência e inspira pensamentos como aquele “Façamos a revolução antes que o povo a faça”, do governador mineiro Antonio Carlos. Entregar os anéis para não perder os dedos (ou a cabeça) pode ser uma troca vantajosa.
Fonte: Jornal “Zero Hora” nº. 16030, 14/7/2009.
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Super high me
Super high me

"Super high me" (trocadilho com o título do filme "Super size me" e high, "chapado" em inglês) é uma comédia apresentada em forma de documentário pelo comediante estadunidense Doug Benson, que pretende mostrar no seu filme os efeitos causados pelo uso da maconha durante 30 dias, o dia todo, numa analogia ao filme lançado pelo também estadunidense Morgan Spurlock, "Super size me", onde Spurlock se propõe a apresentar os malefícios da rede de fast-food McDonald's, passando 30 dias apenas se alimentando apenas de produtos do estabelecimento.
"Super high me" documenta Benson sem consumir maconha por 30 dias e, posteriormente, fumando e consumindo-a seguidamente por 30 dias. Segundo Benson, "Super high me" é o "'Super size me' com fumo em vez de McDonald's". Para assegurar-se que o álcool não afetaria os resultados, ficou sem beber pelos dois meses em que filmou o documentário. O filme também inclui entrevistas com ativistas pró-marijuana, proprietários de estabelecimentos que vendem o produto, políticos e pacientes que formam o movimento pela maconha medicinal.
Benson, comediante de stand-up notório por consumir a droga e fazê-la tema de seus shows, realizou diversos exames médicos para medir sua saúde física e mental, durante as duas fases do documentário. Sua saúde, segundo o médico responsável, não foi afetada pelo uso da Cannabis. Benson ganhou cerca de 3,5 quilos de peso, e sua contagem de espermatozóides acabou por aumentar (contrariando os resultados comumente encontrados nos estudos médicos sobre o assunto), além de conseguir um desempenho sete vezes maior no teste de percepção extra-sensorial (sete acertos em quinze, contra um, anteriormente). No SAT, espécie de vestibular estadunidense, Benson obteve um maior resultado ao consumir a droga, embora sua nota em matemática acabe sendo menor.
O poster do filme mostra Benson rindo, com uma quantidade exagerada de baseados superimpostos em sua boca. Uma das primeiras capas projetadas para o DVD mostrava a imagem original, com uma grande nuvem de fumaça saindo de sua boca.
O filme ainda mostra um pouco da situação legal da maconha em alguns locais, mais especificamente na Califórnia, que permite o uso da maconha para fins medicinais através de uma lei estadual, em contrapartida à lei federal dos Estados Unidos, que não permite.
Parte 1 de 6
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Parte 2 de 6
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Parte 3 de 6
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Parte 4 de 6
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Parte 5 de 6
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Parte 6 de 6
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"Super high me" (trocadilho com o título do filme "Super size me" e high, "chapado" em inglês) é uma comédia apresentada em forma de documentário pelo comediante estadunidense Doug Benson, que pretende mostrar no seu filme os efeitos causados pelo uso da maconha durante 30 dias, o dia todo, numa analogia ao filme lançado pelo também estadunidense Morgan Spurlock, "Super size me", onde Spurlock se propõe a apresentar os malefícios da rede de fast-food McDonald's, passando 30 dias apenas se alimentando apenas de produtos do estabelecimento.
"Super high me" documenta Benson sem consumir maconha por 30 dias e, posteriormente, fumando e consumindo-a seguidamente por 30 dias. Segundo Benson, "Super high me" é o "'Super size me' com fumo em vez de McDonald's". Para assegurar-se que o álcool não afetaria os resultados, ficou sem beber pelos dois meses em que filmou o documentário. O filme também inclui entrevistas com ativistas pró-marijuana, proprietários de estabelecimentos que vendem o produto, políticos e pacientes que formam o movimento pela maconha medicinal.
Benson, comediante de stand-up notório por consumir a droga e fazê-la tema de seus shows, realizou diversos exames médicos para medir sua saúde física e mental, durante as duas fases do documentário. Sua saúde, segundo o médico responsável, não foi afetada pelo uso da Cannabis. Benson ganhou cerca de 3,5 quilos de peso, e sua contagem de espermatozóides acabou por aumentar (contrariando os resultados comumente encontrados nos estudos médicos sobre o assunto), além de conseguir um desempenho sete vezes maior no teste de percepção extra-sensorial (sete acertos em quinze, contra um, anteriormente). No SAT, espécie de vestibular estadunidense, Benson obteve um maior resultado ao consumir a droga, embora sua nota em matemática acabe sendo menor.
O poster do filme mostra Benson rindo, com uma quantidade exagerada de baseados superimpostos em sua boca. Uma das primeiras capas projetadas para o DVD mostrava a imagem original, com uma grande nuvem de fumaça saindo de sua boca.
O filme ainda mostra um pouco da situação legal da maconha em alguns locais, mais especificamente na Califórnia, que permite o uso da maconha para fins medicinais através de uma lei estadual, em contrapartida à lei federal dos Estados Unidos, que não permite.
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Romance
Romance
Pedro (Wagner Moura) e Ana (Letícia Sabatella) em cena do filme "Romance".
"Ana e Pedro, dois jovens atores, se apaixonam durante a montagem teatral do 'Romance de Tristão e Isolda'. Ao mesmo tempo em que recriam a história deste casal mítico que está na origem de todos os casais românticos, eles tentam descobrir para si próprios uma nova forma de se relacionar, menos trágica e mais livre, porém carregada da mesma emoção. Ao narrar o romance contemporâneo de Ana e Afonso, tendo como pano de fundo o romance clássico de Tristão e Isolda, 'Romance' é uma história de amor e uma história sobre o amor. (Meu Cinema Brasileiro)
http://www.youtube.com/watch?v=W-G3B31jyxo
Pedro (Wagner Moura) e Ana (Letícia Sabatella) em cena do filme "Romance".
"Ana e Pedro, dois jovens atores, se apaixonam durante a montagem teatral do 'Romance de Tristão e Isolda'. Ao mesmo tempo em que recriam a história deste casal mítico que está na origem de todos os casais românticos, eles tentam descobrir para si próprios uma nova forma de se relacionar, menos trágica e mais livre, porém carregada da mesma emoção. Ao narrar o romance contemporâneo de Ana e Afonso, tendo como pano de fundo o romance clássico de Tristão e Isolda, 'Romance' é uma história de amor e uma história sobre o amor. (Meu Cinema Brasileiro)
http://www.youtube.com/watch?v=W-G3B31jyxo
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