Craig Freudenrich
INTRODUÇÃO
Como funciona o DNA - Vídeo 1 (Introdução)
http://www.youtube.com/watch?v=yZ_IPafioSU
O DNA (ácido desoxirribonucleico) é a parte mais importante de cada célula. Ele contém informações vitais que passam de uma geração à outra. O DNA coordena sua fabricação, assim como a de outros componentes das células, como as proteínas. Pequenas alterações do DNA podem ter consequências graves, e a sua destruição leva à morte celular.
Mudanças no DNA das células em organismos multicelulares produzem variações nas características da espécie. Durante muito tempo, a seleção natural age sobre essas variações para desenvolver ou mudar a espécie.

A dupla hélice.
A presença ou ausência da evidência de DNA em uma cena de crime poderia significar a diferença entre uma sentença de culpa ou absolvição. O DNA é tão importante que o governo dos Estados Unidos gastou muito para mapear a sequência de DNA no genoma humano na esperança de compreender e descobrir curas para muitas doenças genéticas. Finalmente, do DNA de uma célula, podemos clonar um animal, uma planta ou, quem sabe no futuro, até um ser humano.
Mas o que é DNA? Onde é encontrado? O que o torna tão especial? Como ele funciona? Nesse artigo, trataremos em detalhe da estrutura do DNA e explicaremos como ele se compõe e como determina todas as suas características. Primeiro, vamos analisar como o DNA foi descoberto.

“A dupla hélice” é a razão histórica de James Watson da descoberta da estrutura do DNA.
O DNA é um ácido nucleico. Os ácidos nucleicos foram originalmente descobertos em 1868 por Friedrich Meischer, um biólogo suíço, que isolou o DNA das células do pus em bandagens. Embora Meischer suspeitasse que os ácidos nucleicos pudessem conter informações genéticas, ele não tinha como confirmar sua ideia.
Em 1943, Oswald Avery e seus colegas na Rockefeller University, mostraram que alterações no DNA de uma bactéria como o Streptococcus pneumoniae poderiam transformar bactérias não-infecciosas em infecciosas. Esses resultados indicaram que o DNA era a parte da célula que guardava as informações sobre suas características. O papel das informações do DNA foi mais bem estudado em 1952, quando Alfred Hershey e Martha Chase demonstraram que para produzir novos vírus, um vírus bacteriófago injetou DNA, não proteína, na célula hospedeira.
Então, os cientistas criaram a teoria sobre o papel informativo do DNA, mas ninguém sabia como essas informações eram codificadas e transmitidas. Muitos cientistas achavam que a estrutura da molécula era importante para esse processo. Em 1953, James D. Watson e Francis Crick desvendaram a estrutura do DNA na Cambridge University. A história foi descrita no livro de James Watson “A dupla hélice” e levada às telas no filme “The race for the double helix”. Basicamente, Watson e Crick usaram as técnicas e os dados de modelagem molecular de outros pesquisadores (incluindo Maurice Wilkins, Rosalind Franklin, Erwin Chargaff e Linus Pauling) para decifrar a estrutura do DNA. Watson, Crick e Wilkins receberam o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da estrutura do DNA (Franklin, que foi a colaboradora de Wilkins e forneceu uma peça chave dos dados que revelou sua estrutura a Watson e Crick, faleceu antes de o prêmio ser entregue).

ESTRUTURA DO DNA
Como funciona o DNA - Vídeo 2 (Estrutura)
http://www.youtube.com/watch?v=vX64TGMdeR8
O DNA é um dos ácidos nucleicos, moléculas que contêm informações na célula (o ácido ribonucleico, ou RNA, é o outro ácido nucleico). O DNA é encontrado no núcleo de toda célula humana. As informações no DNA:
— orientam a célula (junto com o RNA) na fabricação de novas proteínas que determinam todos os nossos traços biológicos; e
— passam (são copiados) de uma geração para outra.
A explicação para todas essas funções é encontrada na estrutura molecular do DNA, conforme descrito por Watson e Crick.
Embora possa parecer complicado, o DNA em uma célula é simplesmente um padrão feito de quatro partes diferentes, chamadas nucleotídeos. Imagine um conjunto de blocos que possui somente quatro formas, ou um alfabeto com apenas quatro letras. O DNA é uma longa fileira desses blocos ou letras. Cada nucleotídeo consiste de um açúcar (desoxirribose) ligado a um lado para um grupo de fosfato e ligado ao outro lado para uma base de nitrogênio.

O nucleotídeo é o bloco de construção básico de ácidos nucléicos.
Existem duas classes de bases de nitrogênio chamadas purinas (estruturas aneladas duplas) e pirimidinas (estruturas aneladas simples). As quatro bases no alfabeto do DNA são:
— adenina (A) – uma purina;
— citosina (C) – uma pirimidina;
— guanina (G) – uma purina; e
— timina (T) – uma pirimidina.

Os filamentos do DNA são feitos do açúcar e das porções de fosfato dos nucleotídeos, enquanto as partes do meio são feitas das bases de nitrogênio. As bases de nitrogênio nos dois filamentos do par do DNA unem-se, purina com pirimidina (A com T, G com C), e são mantidas juntas por ligações frágeis de hidrogênio.
Watson e Crick descobriram que o DNA tinha dois lados, ou filamentos, e que esses filamentos estavam torcidos juntos, como uma escada caracol – a dupla hélice. Os lados da escada compreendem as porções fosfato-açúcar dos nucleotídeos adjacentes ligados juntos. O fosfato de um nucleotídeo é ligado covalentemente (uma ligação na qual um ou mais pares de elétrons é compartilhado por dois átomos) ao açúcar do próximo nucleotídeo. As ligações de hidrogênio entre os fosfatos fazem o filamento do DNA se torcer. As bases de nitrogênio apontam para dentro da escada e formam pares com bases no outro lado, como degraus. Cada par de bases é formado por dois nucleotídeos complementares (purina com pirimidina) presos juntos por ligações de hidrogênio. Os pares de base no DNA são adenina com timina e citosina com guanina.

O DNA possui uma estrutura semelhante a uma escada caracol. Os degraus são formados pelas bases de nitrogênio dos nucleotídeos, onde a adenina forma par com a timina, e a citosina com a guanina.

O DNA é uma molécula longa. Por exemplo, uma bactéria típica, como a E. coli, possui uma molécula de DNA com aproximadamente 3.000 genes (um gene é uma sequência específica de nucleotídeos do DNA que se codifica para uma proteína. Falaremos disso posteriormente). Se alongada, essa molécula de DNA teria cerca de um milímetro de comprimento. Entretanto, uma E. coli típica tem apenas três mícrons de comprimento (três milésimos de um milímetro). Para encaixar-se na célula, o DNA é totalmente enrolado e torcido em um cromossomo circular.

Uma bactéria E. coli típica tem três mícrons de comprimento, e seu DNA é mais do que 300 vezes mais comprido. Assim, o DNA é firmemente enrolado e torcido para caber nela.
Os organismos complexos, como as plantas e os animais, possuem de 50 mil a 100 mil genes em muitos cromossomos diferentes (os seres humanos possuem 46 cromossomos). Nas células desses organismos, o DNA é enrolado ao redor de proteínas semelhantes a bolhas chamadas histonas. As histonas também são enroladas firmemente para formarem os cromossomos, que estão localizados no núcleo da célula. Quando uma célula se reproduz, os cromossomos (DNA) são copiados e distribuídos para cada célula descendente, ou célula-filha. As células não-sexuais possuem duas cópias de cada cromossomo copiado, e cada célula-filha recebe duas cópias (mitose). Durante a meiose, as células precursoras possuem duas cópias de cada cromossomo copiado e distribuído igualmente para quatro células sexuais. As células sexuais (espermatozoide e óvulo) têm apenas uma cópia de cada cromossomo. Quando o espermatozoide e o óvulo unem-se na fertilização, os descendentes possuem duas cópias de cada cromossomo.

REPLICAÇÃO DO DNA
Como funciona o DNA - Vídeo 3 (Replicação)
http://www.youtube.com/watch?v=NMObWWt_yrc
Veja também: DNA Replication Process
O DNA carrega as informações para a fabricação de todas as proteínas da célula. Essas proteínas implementam todas as funções de um organismo vivo e determinam as características do organismo. Quando a célula se reproduz, ela passa todas essas informações para as células-filhas.
Antes de uma célula se reproduzir, ela deve primeiro replicar seu DNA, ou fazer uma cópia dele. O local onde ocorre a replicação do DNA depende de as células serem procarióticas ou eucarióticas. A replicação do DNA ocorre no citoplasma dos procariotos e no núcleo dos eucariotos. Independentemente de onde ocorre a replicação do DNA, o processo básico é o mesmo.
A estrutura do DNA presta-se facilmente para a replicação do DNA. Cada lado da dupla hélice segue direções opostas (antiparalelas). A beleza dessa estrutura é que ela pode partir-se ao meio e cada lado pode servir como um padrão ou modelo para o outro lado (chamada de replicação semiconservativa). Entretanto, o DNA não se abre inteiramente. Ele se abre em uma pequena área chamada de bifurcação de replicação, que segue por toda a extensão da molécula.

A dupla hélice do DNA desenrola-se e cada lado serve como modelo para fazer uma nova molécula.
Vamos ver os detalhes:
— uma enzima chamada DNA-girase faz um corte na dupla hélice e cada lado se separa;
— uma enzima chamada helicase desenrola o DNA em duplo filamento;
— algumas proteínas pequenas chamadas de proteínas SSB (single strand binding – ligação em um filamento) acoplam-se temporariamente a cada lado e mantêm-se separadas;
— uma enzima complexa chamada DNA-polimerase “anda” pelos filamentos do DNA e acrescenta novos nucleotídeos a cada filamento. Os nucleotídeos fazem par com os nucleotídeos complementares no filamento existente (A com T, G com C);
— uma subunidade do DNA-polimerase revisa o novo DNA;
— uma enzima chamada DNA-ligase fecha os fragmentos em um longo filamento contínuo;
— as novas cópias automaticamente se enrolam novamente.
Tipos diferentes de células replicam seu DNA em diferentes taxas. Algumas células se dividem constantemente, como as dos cabelos e das unhas e as células da medula óssea. Outras células passam por vários ciclos de divisão celular e param (incluindo as células especializadas, como as do cérebro, músculo e coração). Finalmente, algumas células param de se dividir, mas podem ser induzidas à divisão para reparar lesões (como as células da pele e as do fígado). Nas células que não se dividem constantemente, os avisos para a replicação do DNA/divisão celular vêm em forma de substâncias químicas. Essas substâncias podem originar-se de outras partes do corpo (hormônios) ou do ambiente.
O QUE FAZ O DNA
O DNA carrega todas as informações de suas características físicas que, essencialmente, são determinadas pelas proteínas. Dessa forma, o DNA contém as instruções para fazer uma proteína. No DNA, cada proteína é codificada por um gene (uma sequência específica de nucleotídeos do DNA que especificam como uma única proteína será feita). Especificamente, a ordem dos nucleotídeos dentro de um gene determina a ordem e os tipos dos aminoácidos que devem ser colocados juntos para formar uma proteína.

O DNA contém as informações para formar as proteínas, que realizam todas as funções e determinam características dos organismos vivos.
Uma proteína é feita de uma longa cadeia de substâncias químicas chamadas aminoácidos. As proteínas possuem muitas funções:
— enzimas – realizam as reações químicas (como as enzimas digestivas);
— proteínas estruturais – são os materiais de construção (como colágeno e queratina das unhas);
— proteínas de transporte – carregam as substâncias (como a hemoglobina, que carrega o oxigênio no sangue);
— proteínas de contração – que fazem os músculos se comprimirem (como a actina e a miosina);
— proteínas de armazenamento – que se agarram nas substâncias (como a albumina, nos ovos brancos, e a ferritina, que armazena ferro no baço);
— hormônios – mensageiros químicos entre as células (incluindo insulina, estrogênio, testosterona, cortisona, etc.);
— proteínas protetoras – anticorpos do sistema imunológico, proteínas de coagulação do sangue;
— toxinas – substâncias tóxicas (como veneno de abelha e de cobra).
A sequência específica dos aminoácidos na cadeia é o que diferencia uma proteína de outra. Essa sequência é codificada no DNA, onde um gene se codifica para uma proteína.

O código genético consiste de “termos” de três bases ou códons, que especificam aminoácidos particulares. A ordem dos códons designa a ordem dos aminoácidos na proteína.
Como o DNA codifica as informações para uma proteína? Existem somente quatro bases de DNA, mas há 20 aminoácidos que podem ser usados para as proteínas. Assim, grupos de três nucleotídeos formam um termo (códon), que especifica qual dos 20 aminoácidos vai para a proteína. Um códon de três bases produz 64 padrões possíveis (4*4*4), que é mais do que suficiente para especificar 20 aminoácidos. Em virtude de haver 64 possíveis códons e somente 20 aminoácidos, há algumas repetições no código genético. Além disso, a ordem dos códons no gene especifica a ordem dos aminoácidos na proteína. Pode ser necessário algo em torno de 100 a 1.000 códons (300 a 2.000 nucleotídeos) para especificar certa proteína. Cada gene também possui códons para designar o começo (códon de iniciação) e o fim (códon de terminação) do gene.
CONSTRUINDO UMA PROTEÍNA: TRANSCRIÇÃO
Como funciona o DNA - Vídeo 4 (Transcrição 1)
http://www.youtube.com/watch?v=slbqqALkCaA
Como funciona o DNA - Vídeo 5 (Transcrição 2)
http://www.youtube.com/watch?v=n6EPT29Ab2k
A construção de proteínas é bastante semelhante à construção de uma casa:
— a sequência principal é o DNA, que contém todas as informações para construir a nova proteína (casa);
— a cópia em atividade da sequência principal é chamada de RNAm (RNA mensageiro), que é copiado do DNA;
— o local de construção tanto é o citoplasma, em um procarioto, quanto o retículo endoplasmático (ER) em um eucarioto;
— os materiais de construção são os aminoácidos;
— os trabalhadores da construção são os ribossomos e as moléculas de RNA transportador.
Vamos analisar mais de perto cada fase da nova construção.
Em um eucarioto, o DNA nunca deixa o núcleo, de modo que suas informações devem ser copiadas. Esse processo de cópia é chamado de transcrição, e a cópia, de mRNA. A transcrição ocorre no citoplasma (procarioto) ou no núcleo (eucarioto). A transcrição é realizada por uma enzima chamada RNA-polimerase. Para formar o RNAm, o RNA-polimerase:
— liga-se ao filamento de DNA em uma sequência específica do gene chamada promotor;
— desenrola e desprende os dois filamentos de DNA;
— utiliza um dos dois filamentos de DNA como guia ou modelo;
— corresponde os novos nucleotídeos a seus complementos no filamento de DNA (G com C, A com U – lembre-se de que o RNA possui uracila (U), e não timina (T));
— une esses novos nucleotídeos de RNA para formar uma cópia complementar do filamento de DNA (RNAm);
— interrompe quando encontra uma sequência de terminação de bases (códon de terminação).
O RNAm é feliz por viver em um filamento (contrário ao desejo do DNA de formar hélices em duplo filamento complementares). Nos procariotos, todos os nucleotídeos no RNAm fazem parte dos códons para a nova proteína. Entretanto, nos eucariotos apenas, existem sequências extras no DNA e no RNAm, que não se codificam para as proteínas, chamadas íntrons. Esse RNAm é, então, mais processado:
— os íntrons são recortados;
— as sequências de codificação se unem;
— a “capa” de um nucleotídeo especial é acrescentada a uma extremidade;
— uma longa cauda com 100 a 200 nucleotídeos de adenina é acrescentada a outra extremidade.
Ninguém sabe por que esse processamento ocorre nos eucariotos. Finalmente, muitos genes estão sendo transcritos simultaneamente de acordo com as necessidades da célula por proteínas especificas.
A cópia em atividade da sequência (RNAm) agora deve ir para o local da construção, onde os trabalhadores criarão a nova proteína. Se a célula for procariótica, como uma bactéria E. coli, então, o local é o citoplasma. Se a célula for eucariótica, como a célula humana, então, o mRNA deixa o núcleo através de grandes furos na membrana nuclear (poros nucleares) e segue para o ER (retículo endoplasmático).
CONSTRUINDO UMA PROTEÍNA: TRADUÇÃO
Como funciona o DNA - Vídeo 6 (Tradução)
http://www.youtube.com/watch?v=B7XEaafYNNk
Para continuar com nosso exemplo, uma vez que a cópia em atividade do código chegou ao sítio, os trabalhadores devem montar os materiais de acordo com as instruções; esse processo é chamado de tradução. No caso de uma proteína, os trabalhadores são os ribossomos e as moléculas especiais de RNA chamadas de RNAt (RNA transportador). Os materiais de construção são os aminoácidos.
Primeiro, vamos analisar o ribossomo. O ribossomo é constituído de RNA chamado RNAr (RNA ribossômico). Nos procariotos, o RNAr é formado no citoplasma; nos eucariotos, o RNAr é formado no nucléolo. O ribossomo possui duas partes, que se ligam em cada lado do RNAm. Dentro da parte maior há dois “espaços” (locais P e A) que terão dois códons adjacentes do RNAm, duas moléculas de RNAt e dois aminoácidos. Inicialmente, o sítio P prende o primeiro códon no RNAm, e o sítio A, o outro códon.
Em seguida, vamos analisar as moléculas de RNAt. Cada RNAt possui um local de ligação para um aminoácido. Em virtude de cada RNAt ser específico a um único aminoácido, ele deve ser capaz de reconhecer o códon no RNAm que se codifica para esse aminoácido específico. Por esse motivo, cada RNAt possui uma sequência específica de três nucleotídeos chamada de anticódon, que corresponde ao códon do RNAm apropriado, como fechadura e chave. Por exemplo, se um códon no RNAm possuir a sequência …-uracila-uracila-uracila-… (UUU), que se codifica para o aminoácido fenilalanina, então, o anticódon no RNAt da fenilalanina será adenina-adenina-adenina (AAA); lembre-se de que A se liga a U no RNA. As moléculas de RNAt flutuam no citoplasma e se ligam aos aminoácidos livres. Uma vez ligados aos aminoácidos, os RNAts (também chamados de aminoacil-RNAts) procurarão os ribossomos.
Finalmente, vamos analisar os fatos na síntese de novas proteínas. Por exemplo, vamos considerar uma pequena molécula de RNAm com a seguinte sequência:
(início)--->AUG-UUU-ACA-UGA<--- (fim) Todas as moléculas de RNAm começam com AUG (o códon de iniciação). UGA, UAA e UAG são códons de terminação; códons de terminação não possuem moléculas de RNAt correspondentes (as moléculas de RNAm reais possuem centenas de códons). A sequência correspondente de anti-códons do RNAt será: UAC-AAA-UGU Não há RNAt correspondente para os códons de terminação. A sequência de aminoácidos especificada por esse pequeno RNAm é: metionina - fenilalanina - treonina Conhecemos essa sequência de aminoácidos usando uma tabela de código genético. A tabela de código genético abaixo é para o RNAm e especifica as bases na primeira, segunda e terceira posições do códon com seus aminoácidos correspondentes. Vamos ler o aminoácido especificado pelo códon do RNAm, AUG. Primeiro, coloque seu dedo esquerdo no códon da primeira posição (A), na primeira coluna da tabela. Mova o dedo esquerdo pela linha abaixo do códon da segunda posição (U) na primeira linha. Agora, coloque o dedo direito sobre o códon da terceira posição (G) na mesma linha da última coluna (G). Mova o dedo direito pela linha até chegar no dedo esquerdo e leia o aminoácido (metionina).

Essa é uma tabela de código genético que se baseia nos códons do RNAm. Algumas tabelas baseiam-se nos códons do DNA.
Agora, vamos observar a ordem dos fatos na síntese de nossa proteína do RNAm de nossa amostra:
— um ribossomo se liga ao RNAm com o códon AUG no sítio P e o códon UUU no sítio A;
— um aminoacil-RNAt (anticódon = UAC) com uma metionina acoplada entra no sítio P do ribossomo;
— um aminoacil-RNAt (anticódon = AAA) com uma fenilalanina acoplada entra no sítio A do ribossomo;
— uma ligação química se forma entre a metionina e a fenilalanina (em uma proteína, essa ligação covalente é chamada de ligação peptídica);
— o RNAt específico da metionina deixa o sítio P e parte para se acoplar a outra metionina;
— o ribossomo se desloca para que o sítio P contenha agora o códon UUU com o RNAt da fenilalanina acoplada e o próximo códon (ACA) ocupe o sítio A;
— um aminoacil-RNAt (anticódon) com uma treonina acoplada entra no sítio A do ribossomo;
— forma-se uma ligação peptídica entre a fenilalanina e a treonina;
— o RNAt específico da fenilalanina deixa o sítio P e parte para encontrar outra fenilalanina;
— o ribossomo se desloca para baixo de um códon, para que a sequência de terminação esteja agora no sítio A. No encontro com a sequência de terminação:
— o ribossomo se separa do RNAm e se divide nas suas duas partes;
— o RNAt específico da treonina libera sua treonina e sai;
— a nova proteína circula.
Vários ribossomos podem acoplar-se a uma molécula de RNAm uma após a outra e começar a produzir proteínas. Então, várias proteínas podem ser produzidas de um RNAm. Na verdade, nas bactérias E. coli, a tradução do RNAm começa antes de terminar a transcrição.

MUTAÇÃO, VARIAÇÃO E SEQUENCIAÇÃO DO DNA
No genoma humano, existem de 50 mil a 100 mil genes. Já que a DNA-polimerase copia a sequência do DNA, ocorrem alguns erros. Por exemplo, uma base de DNA em um gene pode ser substituída por outra. Isso é chamado de mutação (especificamente, uma mutação de ponto) ou variação no gene. Em virtude de o código genético ter redundâncias embutidas, esse erro pode não ter muito efeito na proteína produzida pelo gene. Em alguns casos, o erro pode ocorrer na terceira base de um códon e ainda especificar o mesmo aminoácido na proteína. Em outros casos, pode estar em qualquer lugar no códon e especificar um aminoácido diferente. Se o aminoácido modificado não estiver em uma parte importante da proteína, então pode ser que não haja efeito colateral. Entretanto, se o aminoácido modificado estiver em uma parte crucial da proteína, então pode ser que ela esteja com defeito e não funcione tão bem, ou simplesmente nem funcione; esse tipo de alteração pode levar a doenças.

As variações na sequência de genes podem ter consequências importantes e causar doenças.
Outros tipos de mutações no DNA podem ocorrer quando pequenos segmentos do DNA rompem-se do cromossomo. Esses segmentos podem retornar para outro ponto do cromossomo e interromper o fluxo normal de informações. Esses tipos de mutações (remoções, inserções, inversões) geralmente têm consequências graves.
Como foi observado, existe uma grande quantidade de DNA extra no genoma humano que não se codifica para as proteínas. O que esse DNA extra não codificado faz está sendo ativamente pesquisado. Talvez parte dele seja meramente o espaçamento para manter os genes a certa distância para as enzimas de transcrição. Outra pode ser o local onde os produtos químicos ambientais podem se ligar e afetar a transcrição e/ou tradução do DNA. Além disso, dentro desse DNA extra, existem muitas sequências de variação usadas na simbologia do DNA.

SEQUÊNCIA DO DNA
O HGP (Human Genome Project – Projeto do Genoma Humano) foi iniciado na década de 1990 com o objetivo de determinar a sequência de todo o genoma humano. Quais genes estavam presentes? Onde estavam localizados? Quais eram as sequências dos genes e do DNA interveniente (DNA não codificado)? Essa tarefa era magnífica, junto com a ordem do Projeto Apolo dos Estados Unidos de enviar um homem à Lua. Os cientistas e os fornecedores do HGP desenvolveram novas tecnologias, automatizadas e baratas, para sequenciar o DNA.
Basicamente, para sequenciar o DNA, você coloca todas as enzimas e nucleotídeos (A, G, C e T) necessários para copiar o DNA em um tubo de teste. Uma pequena porcentagem dos nucleotídeos possui uma cor fluorescente (cor diferente para cada tipo). Você, então, coloca o DNA que deseja sequenciar no tubo de teste e deixa-o incubar por um tempo.
Durante o processo de incubação, o DNA de amostra é copiado várias vezes. Para qualquer cópia determinada, o processo de cópia é interrompido quando um nucleotídeo fluorescente se fixa nela. Assim, ao final do processo de incubação, você possui muitos fragmentos do DNA original de tamanhos variados e terminando em um dos nucleotídeos fluorescentes.
A tecnologia do DNA continuará se desenvolvendo à medida que tentamos compreender como os elementos do genoma humano funcionam e interagem com o ambiente.
Fonte: HowStuffWorks
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"COMO FUNCIONA O DNA" EM VÍDEOS (BLIP.TV)
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"COMO FUNCIONA O DNA" EM VÍDEOS (INTERNET ARCHIVE)
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